Aline Soares, atualmente Juíza Federal do TRF5, compartilha sua notável jornada, que a levou de uma estudante de direito a uma magistrada.
Sua trajetória é um testemunho de resiliência, disciplina e autoconhecimento, elementos essenciais para quem busca a aprovação em concursos públicos da magistratura.
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ToggleO caminho inesperado
No último ano da faculdade, Aline se viu em um dilema comum a muitos estudantes de Direito: a incerteza sobre qual caminho seguir.
Estagiária na Secretaria da Fazenda e no Tribunal de Justiça, ela ainda não tinha clareza sobre se ingressaria no serviço público ou advogaria.
O “estalo” que mudaria sua vida aconteceu durante uma audiência na Justiça Federal em Alagoas.
“Eu fui assistir essa audiência, e eu confesso que a magistratura até então ela não, digamos, enchia meus olhos. Eu tinha um um o pêndulo mais para o lado do Ministério Público. E é engraçado porque eu fui assistir essa audiência, e eu lembro que quando eu sentei, sabe quando você tem aqueles estalos na vida que você fala: ‘esse é o meu lugar, é aqui, não me pergunte’”
Aline recorda que, na época, o juiz daquela audiência nem imaginava que aquela estudante sentada ali já havia tomado sua decisão.
Anos depois, após a aprovação, ela se tornou colega de magistratura dele e pôde finalmente contar essa história.
“Eu disse para ele: ‘Olha, foi na sua audiência que eu decidi que queria ser magistrada federal. Eu eu olhei para você e falei: “Vou ser sua colega, você não sabe disso'”
Naquele momento, ela percebeu:
“É o meu lugar, gostei dessa mesa, gostei dessa cadeira, gostei desse tema, tô gostando do ambiente”.
A partir dali, seu destino foi traçado: ser magistrada federal.
Contudo, o caminho até a magistratura não foi linear.
Após a faculdade, Aline precisou se sustentar, dando aulas particulares de matemática e inglês.
Essa fase inicial foi fundamental para adquirir experiência e segurança financeira.
Ela foi aprovada em diversos concursos de analista, incluindo o do Ministério Público de Alagoas, do TSE e do MPU, e posteriormente assumiu o cargo de Defensora Pública em Sergipe.
Esse período em cargos intermediários foi essencial para sua preparação e amadurecimento.
Reprovações e a força para continuar
A jornada de Aline foi marcada por inúmeras reprovações, que ela encarava como parte intrínseca do processo.
A mais dolorosa foi na sentença cível do TRF da 5ª Região, onde obteve 5.10 pontos, abaixo do mínimo de 6.0.
“Foi uma reprovação duríssima.”
No entanto, sua capacidade de “virar a chave” e focar no aprendizado foi o que a impulsionou.
Ela encontrou inspiração na frase de Cazuza:
“Mas se você achar que eu estou derrotado, saiba que ainda estão rolando os dados”
Essa mentalidade de não desistir, mesmo diante das adversidades, foi um pilar em sua preparação.
Aline compreendeu que a reprovação não era um atestado de incompetência, mas um indicativo de que precisava aprimorar seus estudos.
A tão esperada aprovação
Após uma década de dedicação e um percurso marcado por aprendizados e superações, Aline Soares alcançou seu objetivo.
Ela iniciou seus estudos em 17 de maio de 2004 e “pendurou as chuteiras”, como ela descreve, em 21 de novembro de 2014, data de sua aprovação.
Durante esses 10 anos, ela conseguiu passar em apenas duas primeiras fases de concursos para a magistratura federal na vida toda: no TRF da 5ª Região e no TRF da 1ª Região.
Fez os dois concursos ao mesmo tempo.
Reprovou na sentença cível do TRF5 – tirando 5.10 quando precisava de 6.0 – mas foi aprovada no TRF1.
Assumiu pela aprovação no TRF da 1ª Região e sua primeira lotação foi Manaus.
Depois voltou removida para Brasília e, finalmente, conseguiu a remoção para a quinta região – primeiro Pernambuco, depois Alagoas.
Sua aprovação não foi apenas o resultado de conhecimento teórico, mas também da experiência adquirida em concursos intermediários, da prática exaustiva de questões e da capacidade de identificar e corrigir os próprios erros ao longo do caminho.
O Método de Estudo: Acertos e Desafios
O que deu certo:
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Criação de uma base sólida:
No início, Aline dedicava de 8 a 10 horas diárias aos estudos, focando em matérias estruturantes como Constitucional, Administrativo, Tributário, Civil, Processo Civil, Penal e Processo Penal.
Ela começou estudando por livros acadêmicos, os mesmos da faculdade, como José Afonso da Silva para Constitucional, Orlando Gomes para Civil, Damásio de Jesus para Penal. Embora tenha sido um caminho mais lento e denso, ela reconhece que isso acabou servindo de base teórica sólida lá na frente.
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Treinamento intenso com questões:
Aline percebeu que precisava de profissionalismo. Pegou a mesa da cozinha para estudar no quarto e passou a frequentar cursinhos que forneciam o “mapa” do que caía nas provas.
Foi nesse treino constante e na prática exaustiva de questões que ela começou a evoluir.
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Disciplina e constância:
Aline manteve uma rotina de estudos diária, dedicando pelo menos uma hora, independentemente das circunstâncias.
“Por pior que fosse o dia, eu tinha que estudar pelo menos uma hora”.
O que não deu certo:
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Superestimar a prova e se subestimar:
Em certo ponto da jornada, Aline cometeu um erro que a fez rodar em várias objetivas da magistratura federal: ela achou que todo o material que tinha usado até ali – os manuais de concurso que a levaram à Defensoria Pública – não seria suficiente para a magistratura.
Voltou para os livros acadêmicos pesados.
Comprou um livro inteiro só de mandado de segurança.
Abandonou o que estava dando certo.
“Eu subestimei tudo que eu vinha fazendo e subestimei a prova. E foi aí que a coisa começou a dar errado para mim.”
Ela só voltou a passar nas objetivas quando percebeu o erro, simplificou e retornou à base que já funcionava.
Quando tomou essa decisão, tudo mudou.
A Motivação que Impulsiona
Quando questionada sobre a frase que a inspirava nos momentos de dificuldade, Aline cita Cazuza para reforçar que o jogo só acaba quando termina:
“Mas se você achar que eu estou derrotado, saiba que ainda estão rolando os dados.”
Para ela, essa mentalidade foi o que permitiu levantar após cada reprovação.
Aline acredita que a aprovação é uma questão de insistência e de não se deixar abater pelo “não” temporário da vida.
Ela reforça que, enquanto houver dedicação, as chances continuam abertas: “
“Enquanto tiver bambu, tem flecha”.
Direcionamento Nível Ênfase
Aline Soares é um exemplo inspirador de que, com um método inteligente e muita resiliência, é possível superar qualquer obstáculo.
Sua história reforça a importância de uma preparação estratégica, que inclui a construção de uma base sólida, o direcionamento adequado e a capacidade de aprender com as reprovações.
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Abraço,
Time Ênfase