Ser exonerado não foi o fim da história desse Juiz…

Juntos por toda a jornada. Pela mão até a aprovação!

A jornada improvável de Senivaldo Jr., Juiz de Direito do TJSP conheça sua trajetória, desafios e lições inspiradoras na magistratura.

Ser exonerado não foi o fim da história desse Juiz…

Como tudo começou

A primeira vez que Senivaldo Jr. ouviu a palavra “juiz”, ele tinha entre quatro e cinco anos de idade. 

Quem pronunciou foi o avô paterno, seu Salomão Pedro dos Reis – um homem do interior baiano, de pouca escolaridade e muita convicção, que morava numa cidadezinha chamada Feira de Santana.

“Ó, você é o meu neto e eu quero que você seja Juiz.”

Naquele momento, o sonho do seu Salomão foi plantado fundo o suficiente para que o menino, alguns anos mais tarde, fizesse do cargo de magistrado o único objetivo que importava. 

Sem ninguém da área jurídica na família – os pais eram pastores e os avós também -, sem padrinho, sem atalho.

“Não tem ninguém, vai na raça e na coragem.”

 

O caminho até a toga

Saiu da faculdade com a convicção de quem passou em dois concursos antes mesmo de colar grau – escrevente do Tribunal de Justiça de Goiás e, depois, auditor do Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás. 

Mas o que veio depois foi o deserto…

Entre 2011 e 2018, Senivaldo prestou cerca de 30 a 35 provas – Promotor, Justiça Federal e Magistratura Estadual. 

Foi reprovado na maioria

 

Chegou em casa uma noite, olhou para a esposa e disse que ia desistir. A resposta dela foi inesperada:

“Vai ali, compra uma pamonha para nós, vai dormir e amanhã você volta a estudar.”

No outro dia, às 3h30 da manhã, estava estudando.

O que sustentou esses sete anos? Ele aponta três pilares sem hesitar: 

  1. A família que nunca duvidou – os pais que voltavam de viagem com plaquinhas escritas “dorme o futuro juiz”.
  2. A que o levava à Bíblia nos momentos de maior desânimo.
  3. E a regra que se impôs depois de cada reprovação era simples: dois dias para absorver o golpe e depois voltar.

 

A aprovação no maior tribunal do mundo

Senivaldo nunca imaginou ser juiz no TJSP. 

Pulou o concurso 186 por medo, como ele mesmo admite, não por falta de preparo. No 187, uma turma de Goiás embarcou junto e ele decidiu arriscar.

Fez as provas da segunda fase com as sacolas do enxoval do filho que estava para nascer – sem expectativa nenhuma – e voltou para casa convicto de que o Tribunal de São Paulo era “só para gente muito inteligente.”

Dia 5 de dezembro saiu o resultado da discursiva: aprovado com nota alta. 

Dia 6: seu filho nasceu.

A fase oral veio em segredo absoluto – só a esposa sabia. Ele comprou a passagem com a data errada, teve que inventar uma história para a tia em Brasília, e acabou precisando contar tudo. A família, seu grande pilar, entrou em oração.

No Palácio dos Passos Perdidos, em agosto, as notas foram aparecendo no telão uma a uma. 

“Passei.”

Quando ligou para a mãe, não conseguiu nem mesmo falar, quem deu a notícia foi um colega que estava ao lado:

“Seu filho é juiz, seu filho é juiz!”

 

O que ninguém esperava que acontecesse 

Enquanto estava na magistratura, Senivaldo mantinha uma rede social onde compartilhava sua rotina de estudos e vendia um material próprio com os artigos que mais caíam nos concursos. 

Chegou a pedir autorização para lecionar em um cursinho, foi negado, e seguiu em frente – porque quanto ao material, ninguém havia dito uma palavra.

Até que chegou o e-mail que nenhum juiz gostaria de receber: a corregedoria pedindo informações.

Prestou tudo com tranquilidade e, quando se abriu a defesa prévia, cessou imediatamente qualquer atividade – redes desativadas, material fora do ar, site encerrado. 

Sua tese era direta: vendia um material de estudo, não assessoria, não coaching, não acompanhamento de nenhuma natureza.

Não adiantou, o Ministério Público pediu sua demissão.

O julgamento começou em 14 de outubro de 2020. 

O relator votou por uma censura, até que alguém pediu a palavra: disse que não conseguia dormir sem se manifestar pela demissão. Um segundo desembargador o acompanhou, acrescentando que, por Senivaldo ter ingressado pelo sistema de cotas, ele deveria ter uma adequação maior às normas do tribunal. 

Sua origem foi mencionada nos autos. Quando o julgamento retomou no dia 28, alguns que tinham votado pela pena mais leve mudaram de posição.

Por 16 a 9, o órgão especial votou pela demissão

Era o auge da pandemia, e a sua esposa estava grávida de oito meses.

“A notícia da demissão, ela é ruim, obviamente machuca, né? Porque você realiza um sonho, de repente você vê seu sonho sendo sepultado […] aquilo que você demorou 7 anos para construir.”

No primeiro momento o que sentiu foi alívio. O processo tinha sido tão angustiante que quando terminou, pelo menos havia um resultado. 

Ele ficou até as 4h da manhã recebendo ligações de apoio do Brasil inteiro

 

O tempo de espera

Sua filha nasceu um mês depois da demissão.

Senivaldo voltou a estudar para concurso. 

No concurso para a magistratura do Rio Grande do Sul, passou nas provas de sentença mesmo com um ataque de pânico no meio da prova criminal – a máscara, a pandemia, e a consciência de que julgava aqueles casos de verdade, não em simulado.

Mas quando chegou à inscrição definitiva, seu nome não estava na lista. 

A comissão havia criado uma interpretação sem previsão no edital: juiz demitido de outro tribunal estaria impedido de participar.

O caso no CNJ, por sua vez, estava parado por falta de quórum – travado por uma discussão política da época que suspendeu as atividades do conselho.

Foi então que um advogado enxergou uma oportunidade no indeferimento do RS. 

Levou memoriais ao presidente do CNJ argumentando que aquela interpretação não era mais um problema local: se virasse entendimento nacional, Senivaldo estaria impedido de fazer qualquer concurso da magistratura pelo país, o que tornava o julgamento do CNJ urgente. 

A tese pesou e a promessa veio: o caso seria pautado em breve.

 

O dia em que o CNJ fez algo sem precedente

25 de maio de 2022. 

Senivaldo acompanhava o julgamento em São Paulo com uma carta de exoneração no bolso – mesmo que o CNJ o reintegrasse, já havia decidido que não voltaria. A mágoa era grande demais.

O relator votou pela reintegração e os conselheiros foram acompanhando um a um. Quando chegou em oito votos favoráveis, já sabia que estava reintegrado. 

Então o ministro – presidente do STF e do CNJ – levantou uma questão de ordem de ofício, sem que a defesa tivesse pedido, defendendo que o CNJ tinha poder para vitaliciar Senivaldo naquele julgamento, com base nos elogios que havia recebido de colegas, da OAB e do Ministério Público e no selo ouro que sua vara ostentava.

Vitaliciar um juiz pelo CNJ nunca havia sido feito – alguém disse isso na sessão – e foi respondido que, nunca havia sido feito porque nunca havia sido necessário, e que devolver Senivaldo à magistratura sem o vitaliciamento seria deixá-lo exposto. 

O mínimo que o CNJ poderia oferecer era estabilidade.

A carta de exoneração que Senivaldo havia preparado perdeu o sentido naquele momento. 

Voltar vitaliciado significava estabilidade plena no cargo, ele não poderia simplesmente pedir para sair como havia planejado. 

A decisão que achava que era sua havia sido tomada por algo maior do que ele, naquele plenário, de um jeito que não havia pedido e não havia planejado.

Reintegrado e vitaliciado pelo CNJ.

Pegou o telefone e ligou para a mãe. 

Pela segunda vez na vida, não conseguiu falar.

“Mãe, eu voltei.”

 

O perdão 

Ele admite sem constrangimento que sim, ele retornou com uma certa raiva.

Na Rodovia Washington Luiz, indo de carro para São Paulo, algo o fez parar. A esposa perguntou se estava tudo bem, até que ele começou a balbuciar:

“Eu perdoo, eu perdoo, eu perdoo, eu perdoo.”

Hoje se diz orgulhoso de fazer parte do Tribunal de Justiça de São Paulo. 

“A partir do momento que eu liberei perdão, hoje eu não sinto absolutamente mais nada.”

Teve a oportunidade de dizer pessoalmente ao corregedor que da sua parte não havia nada contra o tribunal. 

Ele escreveu um livro sobre tudo isso – Sopro no Vendaval – que esgotou todas as tiragens.

 

Para quem está no meio do caminho

A mensagem final que deixou não foi sobre método. 

Foi sobre o que fazer quando os planos saem do controle.

“O que eu posso dizer para você é: insista, permaneça no caminho. Não é fácil, é difícil, é complicado, mas eu nunca vi ninguém que colocou os seus planos, os seus projetos na mão de Jesus, ele deixar desamparado.”

E completou:

“Eu nunca imaginei que eu seria juiz do maior tribunal da América Latina, o maior tribunal do mundo. Eu queria ser juiz e Deus me deu essa oportunidade. Eu nunca imaginei que eu passaria pelo que eu passei. Pensei que em algum momento eu seria reintegrado, mas eu nunca imaginei que eu retornaria vitaliciado.”

 

Direcionamento Nível Ênfase

A história de Senivaldo é um lembrete de que aprovação não é o fim da jornada – é o começo de uma vida construída com método, resiliência e propósito.

Se você quer estruturar sua preparação com a mesma seriedade, clique aqui e comece sua jornada conosco.

E para assistir à entrevista completa de João Mendes com Senivaldo Jr., clique aqui!

Abraço, 

Time Ênfase

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