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ToggleDe motores a processos: uma virada de 20 anos em construção
Tem histórias que não cabem em uma linha do tempo convencional.
A do Robson é uma delas.
Engenheiro mecânico aeronáutico formado pela UFMG em 1981, ele passou os primeiros 20 anos da carreira na área financeira de grandes empresas – longe da aviação que sonhava, mas perto de algo que, sem saber, seria o embrião de uma transição radical.
O contato constante com os departamentos jurídicos das companhias onde atuou foi acendendo, aos poucos, uma faísca.
Na década de 90, com mais de duas décadas de formado como engenheiro, Robson usou férias acumuladas para se preparar e passar no vestibular da Faculdade de Direito da UFMG.
Cursou direito de 1996 a 2000, enquanto ainda prestava consultoria financeira.
Ao se formar, montou um escritório de advocacia com três colegas de faculdade – e ficou 12 anos entre o consultivo e o contencioso.
Mas algo incomodava.
A advocacia contenciosa – que foi crescendo dentro do escritório – trazia uma instabilidade que ele não suportava bem.
As reviravoltas jurisprudenciais, o jogo de teses que ora eram acolhidas, ora descartadas pelo Judiciário. Foi exatamente isso que o empurrou para o outro lado da mesa.
Essa é a história de Robson, Juiz Federal do TRF6, que compartilhou com João Mendes a trajetória singular que o levou à magistratura aos 56 anos de idade – depois de uma vida inteira construída em outras áreas.
53 anos, zero experiência em concurso e uma decisão que mudou tudo
Em 2009, Robson tomou a decisão.
Encerrar – gradualmente – a sociedade de advogados e mirar na magistratura.
Não por necessidade financeira.
O escritório ia bem. A razão era outra: a busca por uma atividade que desse mais prazer de exercer.
O primeiro passo foi um cursinho preparatório.
Seis meses de aulas e, logo em seguida, a primeira prova: o TJ de São Paulo. Não como tentativa séria de aprovação, mas como termômetro.
“[…] foi mais um um teste, porque eu sabia que eu ainda não estava preparado, em seis meses você não consegue se preparar para ser aprovado num concurso de magistratura, mas só para fazer um teste para saber se dava para seguir em frente ou não com esse objetivo, porque com 53 anos de idade já é um pouco complicado né”
Não foi aprovado na objetiva do TJ-SP, mas o desempenho foi suficiente para confirmar: havia caminho.
A partir daí, a transição foi progressiva.
Primeiro, reduziu as horas no escritório. Depois, passou alguns trabalhos para os ex-sócios. No último ano antes da aprovação, encerrou definitivamente a sociedade e foi por conta – das 7h às 23h, todos os dias, incluindo fins de semana.
O método que funcionou: muito estudo, muita repetição e provas em casa
Robson não tem um método único e acabado para apresentar. O que ele tem é honestidade sobre o que funcionou para ele – e uma clareza de que disciplina e volume de estudo foram os pilares de tudo.
“[…] utilizei um método específico, estudar muito, eu começava a estudar é 7 horas da manhã e até 11 horas da noite estudando, era todo dia, inclusive final de semana”
- Simular provas reais, em casa
Desde o início, muito antes de se inscrever nos concursos, Robson pegava provas anteriores da magistratura – TJ de Minas, magistratura federal – imprimia e as resolvia em casa, respeitando o mesmo tempo de prova. Ia medindo o próprio desempenho, questão por questão. Ao perceber que os números subiam conforme o estudo avançava, ganhou confiança para apostar de vez na carreira.
- Leitura e releitura – sem atalhos
Comprador compulsivo de livros por natureza, Robson encarou a mudança de área – de finanças e engenharia para o universo jurídico – sabendo que precisaria compensar a idade com repetição. Aos 53, a memorização já não era a mesma de quando tinha 25 ou 30. A solução: ler, reler, marcar, reler de novo.
“[…] tinha que ler e reler muito, sabe, muito mesmo. Talvez os meus colegas de 25 de 30 anos não não tiveram que ter essa repetição que eu tive que fazer, para poder conseguir a assimilação necessária”
Um colega que passou pela magistratura certa vez visitou sua casa e se deparou com o estoque de marca-textos gastos.
Ficou impressionado.
Brincou dizendo que marca-texto era para marcar o que é importante – não o livro todo.
Robson riu e não discordou.
O ponto cego que quase derrubou tudo: o emocional na prova oral
A partir do terceiro concurso – o TJ de Minas Gerais -, Robson já chegava às provas orais.
A objetiva e a escrita respondiam ao estudo e à dedicação.
Mas a oral tinha uma variável diferente: o emocional.
“mesmo você estando super bem preparado, se você não tiver um controle emocional adequado na hora da prova oral, você pode se reprovar”
Robson buscou ajuda de profissionais específicos para essa etapa – pessoas treinadas para trabalhar o controle emocional em situações de pressão.
Entendeu que saber o conteúdo não bastava se o nervosismo pudesse apagar tudo no momento decisivo. Com essa preparação complementar, seguiu avançando.
A aprovação
Depois de cerca de 3 anos de preparação – com concursos para TJ-SP, TJ-MG, TRFs de várias regiões – e após chegar às provas orais de concursos em estados como Bahia e Ceará, Robson foi aprovado no concurso do TRF da 1ª Região.
A aprovação veio no final de 2012. A posse, em fevereiro de 2013.
Hoje, com 67 anos, ele está no TRF6 e poderia ter se aposentado há 5 anos.
Não o fez.
Trabalha com metas mensais de produtividade, carrega para o serviço público a mentalidade de performance que herdou da iniciativa privada – e diz que o trabalho ainda é gratificante.
“[…] levei pra magistratura algo que, normalmente quem entra direto no serviço público, não tem essa mentalidade, que é de desempenho, de fazer, produzir com qualidade e com alta produtividade”
O conselho de quem chegou lá depois dos 50
Quando João pediu que Robson falasse diretamente para quem está na preparação, ele foi direto ao ponto..
“[…] escolha bem a carreira que você tem intenção de ingressar […] escolha a que vai te fazer mais feliz trabalhando. E a partir daí, invista com disciplina, determinação e não desista, porque a preparação, a disciplina, a determinação, vão acabar te levando à aprovação”
E para quem hesita por causa da idade:
“[…] não se preocupe com a idade, eu decidi entrar com 53 anos de idade, eu passei com 56 anos de idade.”
E a frase que ele deixou como marca da entrevista:
“Não existe desafio que não possa ser superado com disciplina e determinação. Não desista, vá em frente, que você vai conseguir.”
Nível Ênfase
Robson é a prova de que a aprovação não tem prazo de validade – e que experiência de vida pode ser exatamente o que falta para quem está tentando chegar lá.
Se você também quer estruturar sua preparação com método e dar os próximos passos rumo à aprovação, clique aqui e comece sua jornada conosco.
E para assistir à entrevista completa do João Mendes com Robson, clique aqui!
Abraço,
Time Ênfase