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ToggleOs primeiros passos
Marco Aurélio sempre teve interesse por filosofia, história e economia – aquelas matérias de humanas que se aprofundam nas problemáticas da sociedade.
Mas foi o mercado de trabalho que o impulsionou a escolher a área do Direito.
O início da trajetória de Marco Aurélio no Direito foi marcado por uma crise profunda. Depois de cursar tranquilamente o primeiro ano de Direito na UFPE, ele conta:
“Quando começou o terceiro semestre, eu tive uma crise, quando eu vi a matéria de processo civil um, eu achei aquilo muito chato, muito, muito, mas muito chato. Que depois viria ser uma das minhas preferidas lá na frente. Mas eu tranquei o curso.”
No final do ano, chegou a passar no vestibular de Filosofia, mas não entrou.
“Mais uma vez o juízo bateu a cabeça e eu voltei pro curso de Direito, e não me arrependo.”
Quando retornou, voltou com todo o gás. Foi nesse momento que começou a estudar de maneira mais profissional para concursos.
Depois de uma ou duas experiências negativas, Marco Aurélio conseguiu um bom resultado no TRT.
Por volta de 2007, conseguiu a nomeação para técnico e passou a trabalhar no TRT da Sexta Região, em Pernambuco, enquanto cursava a faculdade.
Marco Aurélio formou-se em 2009 e, nessa época, já era pai.
É aqui que surge um elemento fundamental da sua história.
A limitação que moldou a jornada
“A minha trajetória de concursos inicial é muito marcada por essa limitação territorial, porque eu não queria assumir nenhum cargo para ficar longe da minha filha.”
Em 2010, começou a assumir o cargo de assistente jurídico, para conseguir tempo de atividade jurídica. Em 2012, surgiu a oportunidade de se tornar analista do TRT-6, e ele foi aprovado.
Marco Aurélio brinca:
“Eu só mudei o contracheque, porque eu não mudei nem a cadeira que eu sentava.”
Foi a partir desse ano de 2012 que começou sua trajetória voltada para a magistratura do trabalho.
Como o primeiro concurso que o chamou foi o TRT, Marco Aurélio naturalmente foi direcionado para a área trabalhista.
De início, tinha o sonho de ser juiz federal, mas os colegas o convenceram de que seria mais fácil ingressar na magistratura do trabalho, já que ele tinha experiência na área.
E assim ele seguiu, redirecionando sua trajetória de juiz federal para juiz do trabalho.
A virada de chave
Com a natural demora na convocação dos aprovados no concurso da magistratura, ele reavaliou a estratégia e redirecionou completamente seus estudos para o MPT. Teve de mudar sua forma de estudar e sua metodologia.
O concurso seguinte foi o que ocorreu durante a pandemia, em 2020.
“A pandemia me ajudou muito. […] eu ganhei um tempo de estudo muito valioso.”
Marco Aurélio olhava para o desempenho de outros colegas nos cursinhos e pensava: “Caramba, eu nunca vou chegar a esse nível”.
Mas a pandemia lhe deu tempo e, com o edital aberto, ele teve um grande período para estudar focado na segunda e na terceira fases.
“Resgatei esse déficit (em comparação aos concorrentes que eu tinha) e soube aproveitar essa situação da pandemia para correr atrás.”
Deu tudo certo.
Marco alcançou a tão sonhada aprovação, e foi chamado no início de 2022.
O que não se sacrifica
Durante toda essa jornada de oito anos, Marco Aurélio manteve um princípio firme sobre sacrifícios.
Para explicar suas escolhas, ele recorre a uma metáfora conhecida:
“Você deve lembrar de um de um vídeo muito difundido na internet em que o um professor em sala de aula enche um pote cheio de areia, pede para a pessoa colocar algumas bolas e a pessoa não consegue porque o pote de areia está cheio. Ele fala assim: ‘Vamos fazer diferente, coloque primeiro essas bolas e depois despeje a areia’. Aí tu vai ver como cabe tudo.”
A metáfora é simples: as bolas grandes representam o que é essencial na vida, enquanto a areia representa as coisas menos importantes.
Se você enche a vida primeiro com areia (o trivial), não sobra espaço para as bolas (o essencial).
Mas, se você coloca primeiro as bolas grandes, a areia se acomoda nos espaços vazios, e tudo cabe.
“Você tem que saber o que são essas bolas grandes na sua vida.”
As bolas grandes na vida de Marco Aurélio eram claras: a família nuclear e os momentos de qualidade com quem ele amava.
“Eu recusei muitos eventos de amigos, priorizei família, compromissos familiares, eventos, Natal, Ano Novo, mas mesmo assim, teve várias festas de família em que eu estava no quarto estudando, esperando para hora da ceia.”
Sobre harmonizar a vida pessoal com o concurso, Marco Aurélio é enfático:
“O concurseiro não pode abdicar da própria vida. Ele tem que harmonizar a vida dele com a vida pessoal, porque se não, lá na frente, quando você conquista, você olha pro lado e não tem nada. […] você precisa ter pessoas ao seu lado, você precisa da sua família, amigos, […] que lá na frente vão comemorar a vitória junto com você.”
O concurseiro como atleta de alta performance
Marco Aurélio tem uma visão clara sobre como o concurseiro deve se portar:
“Muitas pessoas dizem que o concurseiro é um atleta de alta performance. Então ele tem que ter rotina, tem que ter sono, tem que ter uma vida social tranquila, pouco álcool. De preferência fazer um exercício físico.”
Até a alimentação entrava no cuidado:
“Até isso eu buscava evitar, sabe? Comer uma coisa que vai me causar uma indigestão e vai me tirar a capacidade cognitiva naquele dia. […] Eu também cuidava disso, respeitava o meu corpo.”
Sua média de estudos era de cerca de três a quatro horas por dia. Depois disso, parava tudo e dizia: “Missão cumprida por hoje; agora vou aproveitar minha família.”
O método de estudo: do erro ao acerto
O que não funcionou
- Leitura pesada sem revisão:
“Eu cometi um erro muito primário no estudo para concurso, que foi estudar grandes livros de doutrina.”
Ele tentava concluir o livro, lia doutrina pesada, mas não fazia backup do conhecimento em nenhuma fonte de revisão. O resultado? Esquecia alguns tópicos que havia estudado.
Esse erro o fez adiar por anos o momento de realmente se inscrever e fazer as provas, sempre com a desculpa de que “ainda não estava pronto”.
- Autossabotagem e a falta de confiança.
Marco Aurélio desenvolveu um auto preconceito que o paralisou por anos. Ele olhava para sua situação – casado, com filhos, responsabilidades financeiras, trabalhando – e se comparava com candidatos recém-formados que tinham apoio total dos pais, podiam estudar o dia inteiro e não tinham outras preocupações.
Essa comparação constante o levava a acreditar que estava em desvantagem antes mesmo de começar.
Foi só a partir de 2017, quando começou a consumir conteúdo sobre concursos e assimilar a mentalidade de outros concurseiros aprovados, que Marco Aurélio percebeu que estava se enganando.
Ele não estava em desvantagem – estava apenas travado por suas próprias crenças limitantes.
O que funcionou
- Múltiplos métodos de revisão
Marco Aurélio experimentou diversos métodos e mudava quando saturava de algum:
“Eu fiz post its, eu fiz flashcards, eu fiz mapas mentais, eu gravava áudios para eu escutar depois no outro dia. Eu tinha um um Caderninho do Desespero, aquilo que eu não conseguia entender eu jogava no caderninho de desespero, ‘eu vou ter que descobrir um método de memorizar isso lá na frente’.”
- Palácio da Memória
Marco Aurélio descobriu esse método bem mais tarde e o utilizou bastante, principalmente para provas discursivas.
A técnica consiste em imaginar um espaço conhecido – como a própria casa – e associar cada informação que precisa ser memorizada a um objeto ou local específico desse ambiente.
Por exemplo, para memorizar as características dos direitos fundamentais, ele criava um percurso mental: ao entrar pela porta, via a sapateira e associava o sapato (algo de que não se pode abrir mão) à irrenunciabilidade.
Cada cômodo e objeto da casa guardava uma característica diferente, criando uma rota mental que facilitava a lembrança na hora da prova.
A frase que guiou a vitória
Quando perguntado sobre a frase que gostaria de deixar, Marco Aurélio recorreu a uma citação do professor Pablo Stolze, um dos melhores professores que teve:
“Prepare e o seu cavalo para a batalha, mas só Deus lhe dará a vitória.”
Marco Aurélio explica por que essa frase é tão forte para ele:
Existe sempre um elemento imponderável nos concursos. Ele viu candidatos tão bons quanto ele, ou até melhores não serem aprovados.
Por isso, a preparação é fundamental: você precisa fazer a sua parte com plena confiança e dedicação.
Mas, depois de preparar o cavalo para a batalha, subir nele e ir à guerra, há fatores que estão fora do seu controle.
Pode ser sorte, pode ser o momento certo, pode ser Deus – cada um preenche esse espaço com aquilo em que acredita.
O importante é saber que você fez tudo o que estava ao seu alcance.
Mensagem final
Marco Aurélio é um exemplo de que, com método inteligente, equilíbrio entre vida pessoal e estudos, e perseverança, é possível superar qualquer obstáculo.
Se você também quer otimizar seus estudos e dar os próximos passos rumo à aprovação, clique aqui e comece sua jornada conosco.
E para assistir a entrevista completa do João Mendes Entrevista com Marco Aurélio, clique aqui!
Abraço,
Time Ênfase