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ToggleA escolha da carreira
Jéssica ingressou na Faculdade de Direito da UFPE aos 17 anos.
Durante a graduação, ela estagiou no Ministério Público de Pernambuco, em uma vara do Tribunal do Júri e em uma vara criminal. Foi ali que a área criminal deixou de ser apenas uma afinidade e passou a ocupar um lugar mais claro em sua trajetória.
Mas isso não significava, naquele momento, querer ser Delegada.
A carreira de Delegado de Polícia ainda lhe causava receio: o medo do risco da profissão e a falta de referências femininas próximas fizeram com que ela não considerasse esse caminho logo no início.
Por isso, Jéssica começou a estudar para a Defensoria Pública. Ela queria trabalhar com criminalidade, especialmente no júri, mas sem estar tão diretamente exposta aos riscos que associava à atividade policial. Com o tempo, percebeu que aquela decisão também carregava uma tentativa de se proteger.
A preparação começou, portanto, antes de a carreira final estar completamente definida.
E talvez esse tenha sido um dos pontos mais importantes da sua trajetória: em vez de começar pelo edital de um único cargo, Jéssica começou pelas disciplinas que sustentam várias carreiras jurídicas.
A base antes do edital
Depois da graduação e da aprovação na OAB, Jéssica tomou uma decisão que considera acertada até hoje: estudar primeiro as matérias centrais das carreiras jurídicas.
Constitucional, Administrativo, Penal, Processo Penal, Civil e Processo Civil formaram o primeiro núcleo da preparação, durante quase um ano.
“Eu estava assistindo a aula e concomitantemente eu estava digitando no computador.”
O objetivo era manter a aula em movimento e, ao mesmo tempo, construir um material próprio, com a sua forma de organizar o raciocínio.
Em vez de fugir da dificuldade, ela escolheu estudar mais o que menos dominava.
Fez, inclusive, pós-graduação em Direito Civil não por ser sua matéria preferida, mas justamente para se forçar a estudar melhor uma área em que sentia mais resistência.
A preparação era feita, em grande parte, em bibliotecas.
Para Jéssica, havia um elemento essencial nesse processo: comparecer.
“Comparecer já é metade do trabalho”
Mesmo em dias ruins, em que o corpo ou a mente não acompanhavam, ela mantinha a consciência de que algum avanço era melhor do que abandonar completamente a rotina.
O primeiro grande baque
Na Defensoria Pública da Paraíba, não passou por uma questão.
Em Fortaleza, também ficou por uma questão.
Quando veio a Defensoria de Pernambuco, seu próprio estado, a expectativa era maior.
Pelo gabarito preliminar da prova objetiva, ela estaria aprovada para ter a segunda fase corrigida. A peça discursiva também indicava uma boa nota. Jéssica chegou a comemorar e comprou material para a prova oral.
Depois, veio o gabarito definitivo: uma questão mudou, outra foi anulada, e sua segunda fase não chegou a ser corrigida.
Foi o primeiro grande impacto emocional da preparação.
“Eu chorava igual uma criança desolada.”
A frustração foi tão intensa que ela passou um mês sem conseguir voltar a estudar: havia raiva, luto e a sensação de que tinha feito o que estava ao seu alcance e, ainda assim, o resultado não veio.
Jéssica voltou aos estudos em outro ambiente, uma sala de estudos com outros concurseiros.
Depois vieram novas provas, e em determinado momento, ela chegou a pensar que quanto mais estudava, mais regredia.
Mas essa percepção mudou mais tarde.
A prova de Delegada em Pernambuco
Depois das reprovações na Defensoria, Jéssica começou a direcionar os estudos para Analista do TJPE.
Foi nesse intervalo que surgiu a notícia de um possível edital para Delegado de Polícia em Pernambuco.
A carreira que antes ela nem considerava voltou ao centro da decisão.
Ela nunca tinha estudado especificamente para delegada nem feito prova para o cargo, e havia disciplinas que não dominava.
Mesmo assim, decidiu fazer a prova.
No grande dia, percebeu algo familiar. A prova tinha o mesmo padrão visual e de exigência da prova que havia sido reprovada por três questões.
Na segunda fase, veio um dos momentos mais marcantes: ela olhou para a peça prática e tentou identificar qual prisão caberia no caso e nenhuma parecia adequada.
Ela não tinha domínio completo do tema, mas ainda assim, seguiu o raciocínio que tinha disponível.
O resultado não veio apenas da prova escrita.
No psicotécnico, houve anulação por fraude e reabertura do prazo para apresentação de títulos, e nesse intervalo, Jéssica conseguiu publicar três artigos científicos e três livros.
No TAF, fez a corrida no tempo exigido pela primeira vez no próprio dia da prova.
Ao final, ficou em 18º lugar, uma aprovação depois de três anos de preparação, de 2013 a 2016.
O método
O que deu certo
1. Começar pelas matérias de base
O primeiro acerto foi não limitar a preparação a uma carreira específica desde o início. Essa escolha permitiu que estudasse com consistência matérias comuns a vários concursos. Quando os editais apareciam, as disciplinas específicas eram adicionadas a uma base que já estava em construção.
2. Construir o próprio material
Jéssica defende a construção de um material próprio, ainda que isso leve tempo. Para ela, não se tratava de escolher o caminho mais rápido, mas o caminho mais confiável.
“Tenham uma fonte única de estudo, não fiquem trocando de material.”
Com o tempo, esse material passou a ser suficiente para revisar as matérias principais.
“Eu construí o meu material durante esses 3 anos e chegou um momento em que eu só revisava ele.”
3. Ter poucos e bons métodos
Jéssica não rejeita ferramentas atuais, como flashcards ou métodos de perguntas. Mas chama atenção para um risco: o candidato pode ficar tão imerso em possibilidades que perde a clareza sobre o que realmente o faz aprender.
“O básico e o tradicional continuam funcionando muito bem, sabe, João?”
O ponto não é estudar de forma ultrapassada. É não desprezar o que funciona por parecer simples. Aula bem assistida, material próprio, revisão, questões e caderno de erros continuam sendo parte relevante de uma preparação consistente.
4. Fazer caderno de erros desde o começo
“Talvez o maior acerto que eu tive em relação a técnicas de estudo, foi fazer o meu caderno de erros desde o começo.”
Para ela, fazer questões sem registrar os erros é desperdiçar parte do estudo. O erro mostra um caminho de raciocínio que precisa ser corrigido, se o candidato apenas confere o gabarito e segue adiante, tende a repetir o mesmo padrão.
O caderno de erros, nesse sentido, não é um depósito de questões, mas uma ferramenta para ajustar a forma de pensar.
O que não deu certo
1. Decidir com base no medo
O primeiro erro não foi exatamente uma técnica de estudo, mas uma decisão de carreira. Jéssica reconhece que começou pela Defensoria, em parte, porque tinha medo da atuação policial.
A Defensoria era uma carreira nobre e compatível com seu interesse pelo júri, mas a motivação inicial não estava totalmente clara. Havia uma escolha feita para evitar o risco, não necessariamente para seguir o caminho mais coerente com sua vocação.
Essa percepção veio depois. Durante o processo, nem sempre é possível enxergar com clareza por que se escolhe determinado caminho.
Mas a história mostra a importância de revisar as próprias motivações.
2. Acreditar em estudo passivo
“Um grande erro seria esse: continuar acreditando nessa herança histórica que nós tivemos de que o estudo passivo é o estudo certo.”
Ela reconhece que muita gente aprendeu, por muito tempo, que estudar estava associado a abrir um livro, ler e marcar trechos. Mas, para concursos, isso raramente basta.
A preparação exige estudo ativo: responder questões, buscar a informação na memória, explicar o conteúdo, revisar erros, reorganizar raciocínios. Sem isso, o candidato pode passar horas diante do material e reter pouco.
3. Buscar atalhos demais
Jéssica não nega que algumas pessoas passam rápido. Mas alerta para a promessa de facilidade, especialmente quando ela ignora as fases do concurso, o tempo de maturação da memória e a vida real de quem estuda.
“Pensem em concurso como um projeto de 2 a 5 anos, dependendo da carreira”
Isso não significa que todos vão demorar esse tempo, mas que a preparação precisa ser pensada com fôlego.
Quando o candidato entra no processo esperando uma solução imediata, cada reprovação parece uma sentença.
Mas quando entende o concurso como projeto, consegue ajustar a rota sem recomeçar do zero a cada dificuldade.
Fé, decisão e preparação
A fé ocupa um lugar central na história de Jéssica.
Ela fala da preparação como um período em que também foi amadurecida espiritualmente.
Para ela, estudar não era apenas cumprir horas, mas também aprender a decidir, esperar, suportar frustrações e confiar.
“Tudo é espiritual, inclusive estudar”
Ao longo da entrevista, Jéssica relata que muitas reprovações, vistas depois, pareciam ter preparado o caminho para a aprovação em Delegada de Polícia.
Para ela, esses episódios não foram apenas coincidências, e sim sinais de direção.
Ao final da conversa, ela deixa a sua mensagem:
“Tome todas as suas decisões junto a Deus, todas.”
Decidir qual prova fazer, quando viajar, quando mudar de foco, quando insistir e quando ajustar a rota não são escolhas pequenas.
Na trajetória dela, essas decisões foram tomadas em oração e com a busca por direção.
Direcionamento Ênfase
Jéssica Ramos é um exemplo de que estudar para concursos jurídicos exige mais do que volume de conteúdo, exige direção.
A preparação séria não empilha técnicas para aumentar a ansiedade de quem já tem pouco tempo. Ela organiza o caminho, prioriza o que sustenta a prova e ajuda o candidato a estudar com mais consciência.
Se você também quer dar mais direção aos seus estudos e avançar com método, clique aqui e conheça a preparação do Ênfase.
E para assistir à entrevista completa do João Mendes Entrevista com Jéssica Ramos, clique aqui.
Abraço,
Coordenação Acadêmica
Curso Ênfase