Cronograma semanal de estudos para concurso: os quatro blocos que precisam caber no mesmo dia

Cronograma semanal de estudos para concurso: os quatro blocos que precisam caber no mesmo dia

Cronograma semanal de estudos para concurso: os quatro blocos que precisam caber no mesmo dia

Resposta direta
Um cronograma semanal de estudos para concurso jurídico funciona quando o dia comporta quatro blocos, e não apenas horas de aula: 2 horas de conteúdo em duas disciplinas, 45 minutos de lei seca, 45 minutos de julgados e 30 minutos de questões. O sábado revisa as duas semanas anteriores. Dois domingos do mês ficam com uma bateria de 100 questões e uma revisão geral.

A semana inteira, antes de qualquer explicação

Esta é a arquitetura completa, para você ver o desenho antes de entender a razão de cada peça.

De segunda a sexta, 4 horas por dia

Bloco Tempo O que entra
Conteúdo 2h Duas disciplinas por dia, uma hora cada
Lei seca 45 min Leitura da letra da lei, conforme cronograma
Julgados 45 min Um tribunal por dia
Questões 30 min Do assunto estudado no próprio dia

 

As duas disciplinas de cada dia

Dia Disciplinas
Segunda Constitucional e Administrativo
Terça Civil e Processo Civil
Quarta Penal e Processo Penal
Quinta Tributário e Empresarial
Sexta Civil e Processo Civil

 

O fim de semana

  • Sábado, 5 horas: revisão do conteúdo das duas semanas anteriores.
  • Um domingo do mês, 5 horas: bateria de 100 questões, que pode ser uma prova de concurso anterior.
  • Outro domingo do mês, 5 horas: revisão geral de tudo o que foi estudado até ali.

O total fica em torno de 110 horas mensais. Guarde esse número, porque voltaremos a ele com uma ressalva importante.

Por que quatro blocos, e não simplesmente “horas de estudo”

A pergunta que todo candidato faz é quantas horas precisa estudar. É a pergunta errada, ou pelo menos a menos útil das duas possíveis.

A prova cobra quatro coisas diferentes, e cada uma tem um mecanismo de memória próprio. Entender um instituto é uma operação. Reconhecer a redação literal de um dispositivo é outra. Saber o que o tribunal decidiu é uma terceira. Escolher a alternativa certa sob pressão de tempo é uma quarta. Quem passa seis horas seguidas assistindo aula treina uma dessas quatro e chega à prova com três lacunas.

Aqui está a leitura que sustenta este cronograma: a variável que separa quem avança de quem trava não é a carga horária, é a presença dos quatro blocos no mesmo dia. Duas horas com os quatro blocos rendem mais que seis horas só de aula. E o candidato que adia lei seca e questões para “quando terminar a teoria” não chega nunca, porque a teoria não acaba. Ela é atualizada enquanto você estuda.

Bloco 1: duas horas de conteúdo, duas disciplinas por dia

Duas disciplinas por dia, uma hora cada, resolvem dois problemas ao mesmo tempo. Impedem que uma matéria fique três semanas sem ser tocada e evitam a fadiga de quatro horas no mesmo assunto.

Comece pelas disciplinas fundamentais da sua carreira. Conforme você for fechando o programa delas, entre com as complementares no lugar. Esta é uma decisão que depende do edital, não do gosto: a distribuição da tabela acima serve para a maioria das carreiras jurídicas, mas quem estuda para uma procuradoria estadual e quem estuda para a magistratura estadual não têm a mesma ordem de prioridade.

O conteúdo pode vir de onde você preferir: videoaula, PDF, livro ou resumo. O bloco não exige um formato, exige uma hora com foco em uma disciplina.

Bloco 2: 45 minutos de lei seca

A banca cobra a literalidade do dispositivo. Ela troca “poderá” por “deverá”, inverte um prazo, acrescenta uma hipótese que não existe no rol. Nenhuma explicação de professor protege contra isso. Só a leitura do texto protege.

Este é o bloco que primeiro cai quando o dia aperta, e é também o mais barato de manter de pé. Quarenta e cinco minutos por dia, cinco dias por semana, dão quase quatro horas mensais de contato direto com a lei.

A regra que faz diferença é ler por cronograma, e não pela ordem do que deu vontade. O Ênfase mantém um cronograma de leitura de lei seca que organiza as leis por relevância na carreira escolhida, mas o princípio vale com qualquer ferramenta: a ordem precisa estar decidida antes de você sentar.

Bloco 3: 45 minutos de julgados, um tribunal por dia

Julgado é o bloco que mais assusta, porque o volume parece infinito. Ele não é, desde que você distribua por dia da semana em vez de tentar dar conta de tudo de uma vez.

Dia O que ler Onde
Segunda Informativo do STF (30 min) e súmulas, comuns e vinculantes (15 min) Informativo STF, súmulas e súmulas vinculantes
Terça Teses de repercussão geral do STF Teses de Repercussão Geral
Quarta Informativo do STJ (45 min) Informativo de Jurisprudência do STJ
Quinta Repetitivos do STJ (30 min) e súmulas do STJ (15 min) Repetitivos e IACs anotados e súmulas do STJ
Sexta Jurisprudência em Teses do STJ Jurisprudência em Teses

 

A distribuição não é arbitrária, ela acompanha o ritmo de publicação dos tribunais. O Informativo STF é um periódico semanal que resume, de forma objetiva, as teses e conclusões dos principais julgamentos do Plenário e das Turmas. No STJ, o Informativo de Jurisprudência passou a ser publicado toda semana, sempre às segundas-feiras, desde a edição 685, em fevereiro de 2021, e deixou de ser quinzenal. Ou seja, quando você abre a página na segunda ou na quarta, há material novo esperando.

Vale distinguir os produtos, porque eles não se substituem. A Jurisprudência em Teses reúne, periodicamente, um conjunto de teses com os julgados mais recentes do STJ sobre determinada matéria. Já os repetitivos anotados são os acórdãos de recursos especiais julgados sob o rito dos artigos 1.036 a 1.041 do CPC, organizados por ramo do Direito, assunto e tema. O primeiro serve para revisão rápida por matéria, o segundo para entender a tese que vincula.

Se o seu concurso é de carreira trabalhista, substitua a sexta-feira pelo Informativo do TST, produzido pela Coordenadoria de Jurisprudência do tribunal, junto com as orientações jurisprudenciais e os precedentes vinculantes.

Bloco 4: 30 minutos de questões, no mesmo dia do conteúdo

Questão no fim do dia não é avaliação, é fixação. Quando você resolve questões do assunto que acabou de estudar, descobre o que não entendeu enquanto ainda dá tempo de voltar ao material. Quando deixa para o fim do mês, descobre tarde.

Prefira questões da banca do seu concurso. Cada organizadora tem um padrão de formulação e um repertório de armadilhas, e treinar no formato certo é parte da preparação, como mostra a lógica dos simulados específicos por banca.

Errar no bloco de 30 minutos custa 30 minutos. O mesmo erro na prova custa o ano inteiro de estudo.

O fim de semana não é para conteúdo novo

Sábado é revisão. Cinco horas sobre o que foi estudado nas duas semanas anteriores, e nada além disso. A tentação de usar o sábado para “adiantar matéria” é o erro mais comum de quem monta cronograma sozinho, porque adiantar matéria é gostoso e revisar não é.

Os domingos são dois por mês, e cada um tem uma função distinta. Em um deles, bateria de 100 questões em condições próximas às da prova, que pode ser uma prova de concurso anterior inteira. No outro, revisão geral de tudo o que foi estudado até ali, não apenas das duas últimas semanas. É essa revisão em espiral que impede que o conteúdo de março evapore em agosto.

Os outros dois domingos do mês são seus. O cronograma prevê isso de propósito.

E se o seu dia não tem quatro horas

Aqui está a ressalva sobre as 110 horas. Elas são uma referência, não uma exigência, e há duas formas legítimas de adaptar.

A primeira é fracionar. As quatro horas não precisam ser seguidas. Podem virar dois ou três blocos no mesmo dia: um antes do trabalho, um no intervalo do almoço, um depois que a casa dorme. A trajetória de quem foi aprovado como Juiz Federal aos 42 anos trabalhando em tempo integral é exatamente essa: estudo encaixado nos vãos do dia, não em um bloco ideal que nunca aparece.

A segunda é reduzir mantendo a proporção. Se o seu dia comporta 2 horas, corte cada bloco pela metade: 1 hora de conteúdo, 20 minutos de lei seca, 20 minutos de julgados, 15 minutos de questões. O que não pode cair é a sequência. Um dia com quatro blocos pequenos vale mais que um dia com um bloco grande.

Se a sua dificuldade é conciliar a jornada de trabalho com a preparação, este guia trata especificamente de quem estuda trabalhando oito horas por dia e compara cronograma fixo com ciclo de estudos.

O que este cronograma não resolve

Honestidade é parte da utilidade, então vale dizer o que fica de fora.

Ele não substitui a análise do seu edital. A distribuição de disciplinas da tabela serve para a maioria das carreiras jurídicas, mas peso de matéria, fase discursiva e prova oral mudam a prioridade, e essa conta é individual.

Ele não diz o que estudar dentro de cada disciplina. Saber que a segunda é de Constitucional não responde qual tema do programa rende mais. Isso é estatística de incidência, assunto de outro texto.

Ele não cobre segunda fase. A lógica de blocos vale, mas quem está em fase discursiva precisa de tempo de escrita, e escrita não cabe em 30 minutos.

E ele não promete prazo. Não existe número de meses que sirva para todos, e qualquer texto que prometa isso está vendendo, não ensinando.

Perguntas frequentes

Quantas horas por dia preciso estudar para concurso jurídico?

Não há número universal. A referência deste cronograma é de 4 horas em dias úteis, mas a estrutura funciona proporcionalmente em 2 ou 3 horas, desde que os quatro blocos sejam mantidos.

Dá para seguir esse cronograma trabalhando em tempo integral?

Sim, com fracionamento e, em geral, com redução proporcional dos blocos. Quem trabalha oito horas raramente sustenta quatro horas seguidas de estudo, mas sustenta três blocos curtos ao longo do dia.

Posso dividir as quatro horas ao longo do dia?

Pode, e para a maioria das pessoas é o formato mais realista. O que importa é que os quatro tipos de tarefa aconteçam no mesmo dia, não que aconteçam sem interrupção.

Qual a diferença entre cronograma fixo e ciclo de estudos?

O cronograma fixo vincula disciplinas a dias da semana, como neste modelo. O ciclo define uma ordem de disciplinas que avança conforme o tempo disponível, sem data. O fixo dá previsibilidade, o ciclo absorve melhor imprevistos.

Preciso ler os informativos do STF e do STJ todo dia?

Não. Este cronograma distribui um tribunal por dia justamente para evitar acúmulo. Os dois informativos são semanais, então 45 minutos diários dão conta do fluxo corrente.

Por que duas disciplinas por dia e não uma só?

Para reduzir o intervalo entre contatos com cada matéria e para evitar fadiga. Quatro horas na mesma disciplina rendem menos nas duas últimas horas do que em duas disciplinas de uma hora.

E se eu atrasar a semana?

Não tente recuperar o conteúdo perdido no sábado. Retome na segunda seguinte e deixe o sábado cumprir a função dele, que é revisar. Cronograma que vira dívida acumulada é abandonado em duas semanas.

Fontes oficiais

Sobre o autor

Prof. João Mendes é professor da EMERJ, diretor acadêmico do Curso Ênfase, Mestre pela Universidade de Coimbra, Professor de Constitucional com mais de vinte anos de preparação de candidatos para carreiras jurídicas.

O cronograma acima é uma amostra do planejamento que os alunos do Ênfase recebem dentro do curso, ali já integrado às aulas, ao cronograma de lei seca e ao sistema de questões. A arquitetura, você pode aplicar a partir de hoje com o material que já tem.

Nota de escopo

Conteúdo educativo e de análise metodológica. Não substitui a leitura do edital do seu concurso nem constitui orientação jurídica para casos concretos.

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