O protocolo que levou Ariane Hasemann à magistratura

Ariane Hasemann - Juíza de Direito do TJPR

O protocolo que levou Ariane Hasemann à magistratura

A história de Ariane Hasemann, Juíza de Direito do TJPR

Essa é a história de Ariane Hasemann, Juíza de Direito do Tribunal de Justiça do Paraná, que compartilhou com João Mendes sua trajetória até a aprovação na magistratura e, sobretudo, o método que construiu para estudar com direção.

Ariane começou sua relação com concursos ainda no primeiro ano da faculdade. 

Naquele momento, prestou concurso para técnico judiciário do TRF da 4ª Região, foi aprovada e tomou posse em Londrina, onde trabalhou no Juizado Especial Federal.

Foi ali que o interesse pela magistratura começou a ganhar forma. 

Depois, ao sair do cargo de técnica para estagiar no MPF, ela fez uma escolha que não olhava apenas para o curto prazo: trocou a estabilidade daquele momento por uma experiência que poderia ampliar sua formação jurídica.

Mais tarde, foi aprovada em primeiro lugar para analista do TRF da 5ª Região. Trabalhou em Mossoró, no Rio Grande do Norte, em uma vara única, passou pelo gabinete e teve contato direto com audiências, minutas e diferentes matérias. Foi nesse ambiente que a decisão se consolidou.

“Eu vou ser juíza. E comecei a estudar.”

 

A preparação começou antes dos três anos

Quando perguntada sobre quanto tempo levou entre a posse como analista e a aprovação na magistratura, Ariane foi direta:

“Bom, cerca de 3 anos e meio,”

“E como eu falei, eu acho que a minha base foi sendo formada durante a faculdade mesmo. Eu aproveitei o momento, sabe?”

Para ela, a faculdade tinha uma função específica: formar base. Era o momento de estudar temas mais densos, ler doutrina mais pesada e entender melhor os fundamentos. Já a preparação para concurso exigia outro tipo de organização.

O concurso, segundo Ariane, cobrava uma visão mais ampla, quase de “clínico geral”: muitas matérias, muitos assuntos, com profundidade suficiente para responder ao que a banca perguntava.

 

O estudo com direção

A preparação de Ariane não começou pela tentativa de estudar tudo com o mesmo peso. 

Ela buscou um livro que analisava o edital da magistratura federal e indicava a incidência dos temas por matéria. A partir daí, organizava o estudo conforme a relevância de cada assunto.

No fim da entrevista, João Mendes retoma esse ponto como uma das partes centrais do método: não fazia sentido aplicar o mesmo esforço a temas de alta e baixa incidência. Ariane concorda e resume:

“Não adianta você fugir do que mais cai, tem que enfrentar.”

 

O protocolo dos grifos

Um dos pontos mais práticos da entrevista foi o sistema de grifos utilizado por Ariane.

Ela não grifava para preencher a página de cor, o grifo tinha função de revisão. Por isso, criou um código próprio para identificar rapidamente a natureza de cada informação.

“Sim, eu sempre trabalhei nesses três pilares, né? A lei seca, doutrina e jurisprudência.”

No material de estudo, Ariane separava os grifos por categorias. 

O rosa indicava palavra-chave de doutrina. 

O amarelo era usado para lei seca.

O laranja, para jurisprudência. 

Mais importante do que a cor em si era a lógica por trás do sistema: cada marcação precisava dizer algo para ela no momento da revisão.

Ela também mantinha o Vade Mecum ao lado. Quando a doutrina citava um artigo, interrompia a leitura para consultar a lei seca. Assim, a leitura do livro e o contato com o texto legal aconteciam juntos.

“Eu sempre parei a minha leitura para ler junto a lei seca, não lia a doutrina de uma vez só, porque aí você já vai fixando, né?”

Esse cuidado tinha também uma função prática para a segunda fase. 

Como, na época, era possível usar o Vade Mecum sem anotações, mas com grifos, Ariane já preparava aquele material para ser manuseado em prova. Ela sabia onde estavam os dispositivos, reconhecia seus próprios códigos e conseguia localizar o que precisava com mais segurança.

 

Questões como teste de realidade

Depois da leitura e dos grifos, vinham as questões.

Ariane fazia questões separadas por matéria e por tema. Ao terminar, analisava os erros e voltava ao livro para entender o que havia passado rápido demais ou o que não tinha sido assimilado.

Esse ponto aparece com força na trajetória dela. 

O domínio teórico, sozinho, não bastava. Era preciso saber como a banca cobrava aquele conteúdo. 

Quando percebia que o desempenho ainda não era o necessário, voltava ao material. Em alguns temas, buscava ultrapassar 90% de acerto antes de seguir com segurança.

 

Rotina, blocos e jurisprudência

A organização semanal também tinha método, Ariane dividia o estudo pelos blocos da prova. 

Em vez de estudar todas as matérias ao mesmo tempo, ela agrupava os conteúdos por bloco e distribuía esses grupos ao longo da semana.

Ao longo da semana, Ariane passava por todos os grupos de matérias, revisava os conteúdos mais relevantes e ainda mantinha um espaço fixo para jurisprudência, que ela considerava parte essencial da preparação.

Ela imprimia os informativos, grifava e tentava conectar o que estava lendo com a doutrina já estudada.

 

A segunda fase: adaptação rápida e treino à mão

Ariane se preparava, inicialmente, para a magistratura federal. Quando surgiu o concurso do TJPR, ela decidiu tentar, mesmo sem ter construído toda sua experiência na área estadual.

O concurso foi rápido. Após a aprovação na primeira fase, havia pouco tempo para adaptar o estudo à segunda fase, composta por questões discursivas e sentenças estaduais.

Ela buscou um curso direcionado para a segunda fase da magistratura do Paraná, o que ajudou especialmente na estrutura das sentenças da área estadual. 

Mas o método de base permaneceu semelhante: revisão do material, questões discursivas e treino.

“A partir do momento que eu passei pra segunda fase, eu me dediquei a fazer as questões discursivas. Sentava todo dia e marcava o tempo.”

O treino manual foi tratado como indispensável. 

Não bastava saber o conteúdo, era necessário escrever dentro do tempo, organizar o raciocínio, manter legibilidade e lidar com o desgaste físico de uma prova longa.

Ariane já fazia sentenças no trabalho, o que ajudou. Mas, para as discursivas, precisou direcionar o treino, afinal, a segunda fase exigia outra forma de demonstrar conhecimento.

 

A prova oral e o pouco tempo para reagir

A prova oral teve uma particularidade marcante.

Após a segunda fase, Ariane inicialmente ficou por quatro décimos de ter as sentenças corrigidas. 

Continuou acompanhando o concurso e, ao pedir vista presencial da prova em Curitiba, percebeu que havia erro material na soma da nota.

O erro foi corrigido. 

Em uma sexta-feira à noite, recebeu a ligação informando que suas sentenças tinham sido corrigidas e que ela havia sido aprovada. 

Na segunda-feira, deveria estar em Curitiba. 

Na quinta, haveria o sorteio dos pontos da oral. 

Na terça seguinte, a prova.

“Então eu não tive uma preparação específica para a prova oral. O que deu tempo de fazer foi uma revisão geral de tudo com aquele meu caderninho de frases soltas e trouxe todos os meus livrinhos de novo para cá para poder dar aquela revisada com o grifo.”

 

A decisão de deixar o cargo de analista

Antes da aprovação no TJPR, Ariane tomou uma decisão relevante: pediu exoneração do cargo de analista.

Ela havia chegado perto na segunda fase do TRF da 5ª Região e percebeu que talvez o tempo de trabalho estivesse limitando aqueles pontos finais que faltavam. 

Decidiu arriscar, mas não de forma impensada.

“Eu resolvi arriscar e apostar em mim. Na época, devido à preparação que a gente vai tendo, mesmo que demorasse um pouco mais, eu teria algum respaldo.”

Esse trecho é importante porque evita uma leitura simplista da decisão. Não se tratava de abandonar tudo por impulso. Havia anos de estudo acumulado, experiência profissional, apoio familiar e uma rede mínima de segurança.

Ao mesmo tempo, Ariane continuava prestando outros concursos e publicando artigos para pontuar na prova de títulos. Essa movimentação criava alternativas e fortalecia sua classificação.

A preparação, nesse ponto, também foi estratégica: ela não dependia de uma única frente.

 

O que deu certo na preparação de Ariane

A trajetória de Ariane deixa alguns pontos claros para quem está estudando para concursos jurídicos.

  1. Estudar com base na incidência: ela não fugia dos temas mais cobrados, a estatística ajudava a definir prioridade e a evitar dispersão.
  2. Usar material voltado para concurso: a doutrina de base teve seu papel na faculdade, mas a preparação para prova exigia materiais adequados ao tipo de cobrança.
  3. Integrar doutrina, lei seca e jurisprudência: os três pilares apareciam juntos no estudo e nos grifos.
  4. Fazer questões para corrigir a rota: as questões mostravam como a banca cobrava o conteúdo e indicavam os pontos que precisavam voltar para a revisão.
  5. Criar um caderno funcional, não enciclopédico: o material próprio servia para registrar dificuldades e erros, não para substituir todos os livros.
  6. Treinar a forma da prova: na segunda fase, ela passou a escrever à mão, marcar tempo e treinar discursivas.
  7. Manter constância com adaptação: Ariane tinha um método, mas ajustava a preparação conforme a fase e o tempo disponível.

 

O que não era o centro do método

Ariane não tentou estudar tudo com a mesma intensidade. Também não criou um caderno completo para abandonar os demais materiais. Não grifava tudo. Não separava a lei seca da leitura da doutrina. E não tratava questões apenas como teste final, mas como parte do próprio estudo.

Essa talvez seja uma das principais lições da entrevista: o método dela não era volumoso por si só, era organizado.

A aprovação não veio de uma fórmula única, e sim de uma sequência coerente de escolhas: base, direção, repetição, revisão e adaptação.

 

O resultado

O resultado final do concurso do TJPR saiu em 12 de dezembro de 2012. 

A prova do TRF4, que era sua meta anterior, aconteceria no domingo seguinte. Ariane nem chegou a fazê-la.

Permaneceu no Paraná, como Juíza de Direito do TJPR.

O que parecia, no início, um desvio em relação ao plano original acabou se tornando o destino profissional que ela seguiu. 

 

Para quem está estudando agora

Ao final da entrevista, Ariane deixou uma mensagem simples para quem acompanha sua trajetória:

“Cada um tem o seu caminho, é só a gente não desistir que a gente consegue. Sim. O concurso, ele é democrático, graças a Deus.”

A frase não elimina a dificuldade do caminho, o concurso exige tempo, método, renúncia e constância. 

Também exige honestidade para entender a própria realidade: quanto tempo você tem, qual material usa, onde erra, o que mais cai e o que precisa ser enfrentado.

A história de Ariane mostra que organização não é detalhe, mas parte da aprovação.

Estudar com direção significa usar melhor o tempo que você tem.

 

Direcionamento Ênfase

A trajetória de Ariane Hasemann mostra, na prática, a importância de uma preparação com método. Grifos, cadernos, questões e revisões só fazem sentido quando estão dentro de uma lógica maior: saber o que estudar, por que estudar e como revisar.

Se você também está se preparando para a magistratura ou para outra carreira jurídica, o Ênfase organiza esse caminho com direção acadêmica, método e foco no que realmente decide a prova.

Clique aqui e conheça a preparação do Ênfase.

E para assistir à entrevista completa do João Mendes Entrevista com Ariane Hasemann, clique aqui.

Abraço,
Coordenação Acadêmica
Curso Ênfase

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