Aprovado no 1º concurso para Juiz Federal

Conheça a história de Rodrigo Mello, Juiz Federal do TRF1, sua trajetória na magistratura e os desafios superados até a aprovação.

Aprovado no 1º concurso para Juiz Federal

Conheça a história de Rodrigo Mello, Juiz Federal do TRF1

De Goiás para a Justiça Federal: uma trajetória que não foi em linha reta

Rodrigo Mello não entrou na faculdade de direito pensando em concurso público. 

Ao longo de toda a graduação, o que o movia era a carreira acadêmica – monitoria, iniciação científica, especialização em direito constitucional. 

O concurso veio depois, como uma decisão tomada no meio do mestrado, quando ele começou a ver de perto as limitações da vida acadêmica no Brasil.

O que ele sabe é que, a partir daquele momento, a ideia passou a ser outra: não abandonar a academia, mas construir algo paralelo. 

E o concurso que fez sentido, dado tudo que ele já estudava, foi advocacia pública.

Em setembro ou outubro de 2016, tomou posse como Procurador do Município de Goiânia, e permaneceu três anos no cargo.

A decisão de virar o estudo para a magistratura federal veio de dentro de casa, de uma conversa clara sobre o que fazia sentido sair de Goiânia para buscar.

“Se for para sair de casa, vai ser para ser Juiz Federal.”

Em 2017, começou a se preparar especificamente para o TRF. 

Em meados de 2019, tomou posse como Juiz Federal. 

O primeiro edital que saiu foi o do TRF3 – e foi nele que foi aprovado, no primeiro concurso que fez para magistratura.

 

O que a vida acadêmica ensinou

Rodrigo passou anos no ambiente acadêmico antes de virar para os concursos. Esse histórico teve efeitos reais na preparação, mas não da forma que muita gente imagina.

O conteúdo do mestrado, em si, não foi aproveitado para o estudo de concurso. Ele é direto sobre isso.

O que ficou foi outra coisa: o repertório para provas dissertativas e orais, e, principalmente, a malícia de quem já elaborou questão objetiva. 

Quem monta uma prova sabe o que está perguntando, onde está a pegadinha, o que o candidato vai tender a errar.

“Você pega uma questão de concurso, você lê e tenta se colocar na cabeça de quem elaborou aquela questão. O que será que a pessoa está querendo aqui?”

A docência também ajudou de outra forma: ele precisava dar aula de várias disciplinas ao mesmo tempo, e procurou pegar exatamente as que eram mais relacionadas com os concursos que pretendia fazer. 

Estudava para preparar aula e, ao fazer isso, estudava para concurso. Não era um aproveitamento perfeito, mas era real.

Sobre conciliar mestrado com estudo para concurso, a avaliação dele é simples:

“Eu acho que é até um problema físico a pessoa conciliar os dois.”

Não impossível, mas desgastante em dobro – físico e psicológico. O proveito de conteúdo é pequeno para o esforço envolvido.

 

O valor de trabalhar enquanto estuda

Rodrigo nunca foi o candidato que parou tudo para estudar em tempo integral. E ele não vê isso como uma limitação.

Durante toda a preparação para advocacia pública, ele estava dando aula. 

Durante a preparação para magistratura federal, estava trabalhando na procuradoria, com o estudo acontecendo à noite.

O argumento que ele é mais simples:

“Para mim sempre ajudou bastante, tanto em termos de arejar a mente, de ficar, se acordar e ter que sair de casa, conversar com pessoas, porque aquele ritmo, pelo menos para mim, não funcionava de ficar em casa todo dia, todo dia, todo dia, todo dia ali naquela rotina.”

Há também o lado do aprendizado. Um processo trabalhado na prática deixa uma marca que o estudo teórico, sozinho, não deixa. A regra processual que você aplicou num recurso real é diferente da que você leu numa sinopse.

Ele reconhece que nem todo mundo tem essa possibilidade. E que quem tem mais tempo pode passar mais rápido. Mas para quem pode conciliar, a avaliação dele é que vale.

 

O método: fichário, revisão diária e foco nas deficiências reais

O centro do método de Rodrigo era o fichário. 

Não uma ferramenta sofisticada – um fichário físico, com anotações à mão, setas, X em cima do que foi revogado, páginas coladas dentro de páginas.

Ele tinha uma função específica: memória visual. 

Sabia onde estava cada anotação, cada súmula, cada jurisprudência. 

E era para esse fichário que tudo convergia – aulas, leituras, doutrina, legislação. 

A revisão era diária. Toda vez que se sentava para estudar uma matéria nova, começava revisando outra. Não o conteúdo inteiro – cerca de dez páginas do fichário, do ponto onde havia parado da última vez.

As videoaulas entraram especialmente para as disciplinas que ele precisava começar do zero na preparação para a magistratura. E o que assistia nas aulas ia direto para o fichário, porque era ali que a revisão ia acontecer.

Questões de prova não faziam parte da rotina principal. Ele as usava como válvula de escape nos momentos de cansaço, sem método específico para isso.

 

O que ele não estudou – e por quê isso importa

Uma das escolhas mais claras de Rodrigo foi saber o que não precisava estudar.

Direito Constitucional, ele não estudou em nenhum momento dos quatro anos de preparação para concurso. 

Era a disciplina que ele já dominava desde a graduação, da especialização no mestrado, das aulas que dava. 

O mesmo para Tributário e Processo Civil – disciplinas que ele ministrava.

Isso liberou tempo e energia para o que de fato estava deficiente: Direito Penal, Processo Penal e Direito Previdenciário, que têm peso importante na magistratura federal.

As demais disciplinas ele revisava, fazia questões, se atualizava. 

Mas o foco de energia estava nas lacunas reais, não no edital inteiro de forma uniforme.

 

Como ele lidou com a reprovação – e o que observou em quem ficou pelo caminho

Rodrigo não passou pela preparação sem tensão. 

Na prova dissertativa do TRF3, ele passou no limite: a nota que o aprovou foi exatamente a nota de corte. Poderia ter sido décimos a menos.

O que ele aponta como risco real, a partir do que observou em colegas, é o peso emocional de uma reprovação mal processada. Não a reprovação em si, mas o que ela faz com quem não consegue absorver e seguir.

“Tem gente que fica pelo caminho por essas derrotas, e a pessoa tá muito preparada. Às vezes o concurso dela seria o próximo e ela e ela fraqueja ali.”

Reprovação pode ser sinal de que o método precisa ser revisto. 

Mas pode também ser somente o caminho normal de um concurso longo e competitivo. 

Distinguir uma coisa da outra – sem nem minimizar nem dramatizar – é parte do que mantém o candidato no percurso.

 

A frase que carregou com ele

Quando João Mendes pediu uma frase que servisse de âncora nos momentos difíceis, Rodrigo não foi buscar um bordão de concurso. Foi buscar Cora Coralina, poeta de Goiás:

“Removendo pedras e plantando flores.”

A explicação que ele deu situa de onde vem a imagem:

“Ela era de uma cidade aqui, a antiga capital de Goiás, hoje chamada cidade de Goiás, que é uma cidade com muita pedra, né? E passa aquele sintoma de você chegar lá às vezes com sol muito quente, de alguma coisa seca, meio que não é muito acolhedor.”

E conclui:

“E como é que você reage a isso? A essas intempéries, a essas dificuldades, a esse árido? Depende de como é que você encara. Você plantar uma flor ali, que é o que ela fazia, a coisa pode melhorar bastante. E essa jornada do concurso não precisa ser tão negativa.”

 

Direcionamento Nível Ênfase

A preparação de Rodrigo foi construída com escolhas concretas: saber o que não precisava estudar, manter um material próprio e revisá-lo todos os dias, conciliar o estudo com trabalho real na área, e calibrar o foco nas disciplinas que de fato eram sua deficiência.

Se você quer entender como organizar sua preparação, clique aqui e conheça o que o Ênfase oferece.

E para assistir à entrevista completa do João Mendes com Rodrigo Mello, clique aqui.

Abraço, 

Coordenação Acadêmica 

Curso Ênfase

Compartilhe nas redes: