Concurso TJAP para juiz 2026: análise completa do edital da FGV

Fachada do Tribunal de Justiça do Amapá com a bandeira do estado ao fundo

Concurso TJAP para juiz 2026: análise completa do edital da FGV

Resposta direta

O Tribunal de Justiça do Amapá abriu o concurso para Juiz de Direito Substituto com 15 vagas e subsídio de R$ 35.877,27, pelo Edital nº 01/2026, com organização da FGV. As inscrições vão de 13 de outubro a 13 de novembro de 2026 e exigem aprovação no ENAM. A prova objetiva está prevista para 24 de janeiro de 2027, em Macapá.

 

Ficha do concurso TJAP 2026

Item O que diz o edital
Cargo Juiz de Direito Substituto
Vagas 15 e cadastro de reserva: 10 de ampla concorrência, 1 para pessoas com deficiência e 4 para pessoas negras; indígenas e quilombolas no cadastro de reserva
Subsídio R$ 35.877,27
Banca FGV, na primeira e na segunda etapa
Taxa R$ 358,77
Inscrições das 16h de 13/10 às 16h de 13/11/2026 (horário de Brasília)
Isenção das 16h de 13/10 às 16h de 15/10/2026
Prova objetiva prevista para 24/01/2027, das 13h às 18h, em Macapá
Provas escritas datas prováveis de 11 e 12/04/2027
Validade 2 anos, prorrogável uma vez por igual período

 

Quem pode se inscrever, e quando cada requisito é cobrado

Os requisitos do item 3.18 não são todos provados no mesmo momento. É aí que mais se erra.

Na inscrição preliminar, a exigência que elimina é uma só: o certificado de aprovação no ENAM, emitido pela Enfam, enviado por upload no ato da inscrição (itens 7.1.1 e 7.2, c). Não há inscrição condicionada nem entrega posterior (item 7.3.4). Sem o certificado, a inscrição é indeferida mesmo com a taxa paga.

Na inscrição definitiva, depois das provas escritas, entram os demais documentos (item 14.3): diploma registrado, certidões cíveis e criminais, folha de antecedentes, certidão da OAB e a comprovação dos 3 anos de atividade jurídica. O prazo para completar esses três anos é o fim do prazo da inscrição definitiva, não a data da inscrição preliminar. Quem ainda não completou o triênio hoje pode se inscrever, desde que feche os três anos até lá. Os detalhes estão em o que conta como atividade jurídica para a magistratura.

As cinco etapas do concurso

  1. Prova objetiva seletiva: eliminatória e classificatória.
  2. Provas escritas, com uma discursiva e duas sentenças: eliminatórias e classificatórias.
  3. Inscrição definitiva, com sindicância da vida pregressa, investigação social, exame de saúde e psicotécnico: eliminatória.
  4. Prova oral: eliminatória e classificatória.
  5. Avaliação de títulos: classificatória.

A FGV aplica as duas primeiras etapas, e o TJAP conduz as outras três (item 2.5).

Como é a prova objetiva do TJAP

São 100 questões de múltipla escolha, com cinco alternativas, divididas em três blocos (item 10.5). A prova dura cinco horas, das 13h às 18h, e vale a pena treinar o ritmo: veja como se preparar para uma prova longa e cansativa.

Bloco Questões Disciplinas Mínimo de acertos
I 40 Civil, Processual Civil, Consumidor, Criança e Adolescente 12
II 30 Penal, Processual Penal, Constitucional, Eleitoral 9
III 30 Empresarial, Financeiro e Tributário, Ambiental, Administrativo, Noções Gerais de Direito e Formação Humanística, Direitos Humanos 9

 

O corte tem duas camadas (item 11.3). Primeiro, 30% de acertos em cada bloco. Cumprida essa condição, é preciso ter ainda 60 acertos no total. Quem faz 70 acertos com apenas 8 no Bloco III está eliminado.

Depois vem o redutor (item 11.3.3). Seguem para a segunda etapa os 200 primeiros se houver até 1.500 inscritos, os 300 primeiros se houver mais de 1.500, e até 1.500 candidatos se houver mais de 10.000 inscritos, sempre com os empatados na última posição. Os candidatos das listas reservadas não se sujeitam ao redutor: passam com nota mínima de 6,0 (item 11.3.4).

Em Noções Gerais e Formação Humanística, o programa tem nove frentes. Uma delas é a legislação do Amapá, com seis diplomas: a Constituição do Estado, o Regimento Interno do TJAP, o decreto de organização e divisão judiciárias, a lei de custas, a lei do quadro de pessoal do Judiciário e a lei do regime próprio de previdência do estado.

Como são as provas escritas

A segunda etapa tem duas provas (itens 13.1 a 13.3):

  • Discursiva: 4 questões de 2,5 pontos cada, sobre qualquer ponto do programa. Aprova quem tirar 6,0.
  • Prática: uma sentença cível e uma sentença criminal, em dias diferentes. É preciso tirar 6,0 em cada uma, e a nota da prova é a média das duas.

A sentença só é corrigida para quem passou na discursiva (item 13.2.4). O uso incorreto da Língua Portuguesa pode descontar até 10% da nota de cada prova. Para entender o que a banca valoriza nessa correção, veja como a FGV corrige a 2ª fase da magistratura e o que a FGV cobrou nas discursivas e sentenças do TJPE.

É permitido consultar legislação sem anotação nem comentário. Também é permitida a simples remissão a número de súmula, desde que sem o texto da súmula (item 13.1.4). São proibidos súmulas, informativos, doutrina e qualquer material com modelos de peça.

Prova oral, títulos e a tabela de pesos

Na prova oral, cada examinador tem até 15 minutos de arguição, e a nota mínima é 6,0 (itens 15.5 e 15.6). Os títulos valem no máximo 10 pontos. A média final é ponderada (item 17.1):

Etapa Peso
Prova objetiva 1
Prova discursiva 3
Prova de sentença 3
Prova oral 2
Títulos 1

 

A objetiva elimina, mas quem classifica é a escrita

A tabela de pesos mostra o que o calendário esconde. A prova objetiva, que concentra quase toda a ansiedade de quem começa, vale peso 1 de 10. A discursiva e as sentenças valem peso 6 de 10. E entre a objetiva, em 24 de janeiro, e as escritas, em 11 de abril, há 77 dias.

Isso não significa dividir o tempo igualmente entre as duas fases agora. A prioridade, até 24 de janeiro, é a prova objetiva: sem ela, não há segunda fase. Mas o treino da escrita deve começar já, em ritmo leve e paralelo: uma discursiva ou um trecho de sentença por semana, para manter a mão e o raciocínio da peça. Quem fizer isso chega ao resultado da objetiva já em movimento. Os 77 dias viram tempo de intensificar, e não de começar do zero. Uma forma de encaixar esse treino na semana está em como montar um cronograma semanal de estudos para concurso.

O detalhe que quase ninguém lê no edital

Três pontos merecem uma segunda leitura:

  • Lei nova pode cair. O Anexo I prevê que alterações legislativas posteriores à publicação do edital podem ser exigidas. Não existe data de corte para a legislação.
  • A orientação de gabarito está no edital. As questões devem refletir “a posição doutrinária predominante e a jurisprudência consolidada dos Tribunais Superiores” (item 10.9). A tese minoritária não é critério de resposta.
  • O prazo para impugnar o edital é curto e conta do fim das inscrições. Qualquer cidadão pode impugnar o edital por e-mail em até 5 dias após o término da inscrição preliminar, sob pena de preclusão (item 1.5).

E agora, o que estudar para o TJAP?

O edital diz quanto vale cada bloco, mas não diz onde a FGV costuma concentrar as questões dentro dele. Nas 18 provas de Juiz de Direito que a banca aplicou entre 2021 e 2026, a lei aparece em 76,0% das questões, e Civil, Processual Civil, Penal e Processual Penal somam 46,1% da prova. A análise completa, disciplina por disciplina, está em o que mais cai na prova de juiz da FGV. Para ver como a banca pergunta, a referência mais recente é a prova comentada do TJPE 2026, a última prova de juiz aplicada pela FGV.

Como se preparar com o Ênfase

Há quatro caminhos, conforme o momento e as carreiras que você mira:

  • Magistratura Estadual: preparação para a 1ª fase dos concursos de Juiz de Direito, com conteúdo organizado por incidência, cronograma de 44 semanas e coordenação do Dr. Senivaldo dos Reis Júnior, Juiz de Direito do TJSP.
  • Magistratura Estadual e MPE: Juiz de Direito e Promotor de Justiça num único curso, para quem quer manter as duas portas abertas, já que as carreiras compartilham o mesmo núcleo da 1ª fase.
  • Magistratura Federal e Estadual: Juiz Federal e Juiz de Direito na mesma preparação, sem escolher antes da hora, com juízes dos TRFs em atividade na rota federal.
  • Núcleo Duro Magistratura e MP: 48 semanas dedicadas, por inteiro, às oito disciplinas que sustentam a prova, com mais de 2.100 dispositivos de lei seca e mais de 3.000 questões. Você começa quando quiser.

O que este artigo não cobre

Esta análise se apoia no texto do Edital nº 01/2026. As datas da prova objetiva e das escritas são as previstas no próprio edital e podem mudar com aviso de 15 dias. O programa de cada disciplina, no Anexo I, é mais extenso do que este texto consegue reproduzir, e a leitura integral do edital continua indispensável. No entanto, a estrutura das provas, os cortes e os pesos estão fixados no edital e definem com segurança a estratégia de preparação.

Perguntas frequentes

Quantas vagas tem o concurso de juiz do TJAP 2026?

São 15 vagas e cadastro de reserva: 10 de ampla concorrência, 1 para pessoas com deficiência e 4 para pessoas negras. Indígenas e quilombolas concorrem no cadastro de reserva.

Qual o salário de juiz substituto do TJAP?

O subsídio é de R$ 35.877,27, valor vigente na data de publicação do edital.

Precisa do ENAM para o concurso do TJAP?

Sim. O certificado de aprovação no ENAM é enviado por upload no ato da inscrição preliminar, e sem ele a inscrição é indeferida.

Quando é a prova objetiva do TJAP?

A prova objetiva está prevista para 24 de janeiro de 2027, das 13h às 18h, em Macapá.

Qual a nota de corte da prova objetiva do TJAP?

É preciso acertar 12 questões no Bloco I, 9 no Bloco II e 9 no Bloco III, e ainda somar 60 acertos no total. Depois, seguem os mais bem classificados, conforme o número de inscritos.

Preciso ter 3 anos de atividade jurídica para me inscrever?

Os três anos são comprovados na inscrição definitiva, depois das provas escritas, e precisam estar completos até o fim desse prazo.

Qual etapa tem mais peso na nota final?

A discursiva e a prova de sentença têm peso 3 cada. Juntas, valem 6 dos 10 pesos da média final, contra peso 1 da prova objetiva.

Fontes oficiais

  • Edital nº 01/2026 do Tribunal de Justiça do Estado do Amapá, de abertura do concurso para Juiz de Direito Substituto, publicado em 5 de outubro de 2026
  • Página do concurso na FGV
  • Resolução CNJ nº 75/2009

Sobre o autor. Prof. João Mendes é professor da EMERJ, diretor acadêmico do Curso Ênfase, Mestre pela Universidade de Coimbra, Professor de Constitucional com mais de vinte anos de preparação de candidatos para carreiras jurídicas.

Conteúdo educativo e de análise técnica. Não substitui a leitura integral do edital nem orientação jurídica para casos concretos.

A análise estatística foi feita pelo autor, com o auxílio de inteligência artificial.

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